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Da infância
Por que as crionças crescem traumatizadas? Os pais, é óbvio. Tem pessoas melhor pra falar no dia das crianças do que estes dedicados progenitores, que querem tanto o nosso bem que acabam quase matando os filhos de tanto amor? [no meu caso, quase literalmente!] Vou contar uns casinhos que viraram piadas internas em casa e depois vocês me dizem se num tô certa. 
Vou começar por mim. Meu pai gostava muito de brincar com a Dekinhazinha. Às vezes a gente brincava de cavalinho. Só que ele esqueceu que crianças crescem. Inclusive eu! Ele me montava em seus ombros e saía cavalgando pela casa, segurando meus braços pelos pulsos para me equilibrar. Imaginem a situação desesperadora que a mini-Deka vivenciou, quando seu desavisado pai atravessou a porta do banheiro esquecendo-se da altura do batente. Até hoje tenho pesadelos com aquela parede chegando cada vez mais perto, em velocidade constante, enquanto meus braços estavam firmemente seguros. E o mosquitão? Já falei aqui no blog, que meu pai é meio paranóico com pernilongos, né? Pois ele queria me “treinar” desde piveta, para que no futuro eu me tornasse uma exterminadora de mosquitos. Se fingia de mosquito gigante que me perseguia pela casa. Eu, sob influência dos princípios assassinos do meu ememplo de vida, saía correndo atrás dele, pulverizando-lhe um veneno aerosol imaginário. Num dos treinamentos, começamos a brincadeira a partir do ponto de partida de sempre: o canto do penico. Corre-corre pela casa, papai zumbindo, Deka sonorizando o “psss” do veneno, mamys gritando: “Olha essas brincadeiras! Vai que pega no olho!”, mosquitão morre e em meio a sua estrebuchante agonia, esperneia acertando uma bica na lata da exterminadora mirim que foi lançada a 2 metros de distância, já nocauteada. No dia seguinte, o avô pergunta: “Que roxo é esse na cara da guria?” ao que eu respondo prontamente: “Foi o muquitão, vô!” Por sorte, não fui somente eu que fui vítima dos perrengues patriarcais. A Malinha também sofreu das suas. Ela – com 2 aninhos – vê meu pai passando manteiga de cacau na boca. Como toda criança curiosa, fica interessada na tecnologia retrátil e logo quer passar o batonzinho também. Papai, zeloso como sempre, para evitar o contato direto da frágil criancinha com seus objetos de uso pessoal, lhe ensina pacientemente a passar a manteiga de cacau no queixo. Sim, no queixo. Tudo correu perfeitamente como o planejado, até que um belo dia, a Malinha sai do quarto da minha tia com o queixinho todo vermelho de batom de verdade. E pra explicar o focinho do porco pra guria? Mas ela se vingou! Um dia, o papys chega mais cedo do trabalho, bem cansado e vai se deitar. De vez em quando ele acordava com uma cosquinha nos pés. Sacode sua extremidade pernística e vê de sua posição, um topo de cabecinha com uma maria-chiquinha que lembrava muito um coqueiro, correndo do quarto. “Whatever”, ele certamente pensou. Até o dia seguinte, quando ao vestir as meias, descobre nos pés verdadeiras obras de arte de canetinhas hidrocor. Óleo na tela é para os fracos. Pra não dizer que só falei mal dos pais, levem de bônus também uma pérola da Malinha. Um dia ela chega toda orgulhosa da EMEI, do alto de seus 5 anos de idade, publicando em letras garrafais que tinha aprendido o Hino Nacional. Eu, como toda irmã mais velha dedicada [e FDP], pedi-lhe que então cantasse. Ela, se empertigando, prontamente começou: “Ouvidos do Ipiranga as margens plácidas De um polvo heróico brazo rezumblante E o sol da liberdade raios bípidos...” Foi o demais pra minha caixa de risada [vide Bob Esponja]. Não consegui ouvir mais nem um mísero verso depois disso. Fuçando nas gavetas atrás de uma foto pro avatar do twitter, foi inevitável reencontrar-me em diversas fases. Alguns encontros eu gostaria de evitar, mas não há como se esconder de algo tão impresso em sua alma quanto o passado. De certa forma, os risos que acompanharam as lembranças foram infinitamente mais relevantes. E é isso que deve ser carregado para sempre: o clichê da criança que existe dentro de nós. Mas como eu já disse, os clichês estão aí para serem vivenciados e só então compreendidos. E não somente repetidos à exaustão. Feliz dia das crianças! =)
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Escrevinhado por Deka Pimenta às 10h45
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