Por eso me voy...

Sim, estou partindo desta pra uma melhor.
Foi muito bom compartilhar com vocês até aqui, mas não dá pra continuar.
As pessoas mudam e não poderia ser diferente comigo. Tudo evolui.
Isso significa que.... O blog mudou de endereço =D

A partir de agora, postarei em http://pedradosapato.wordpress.com

Um abraço a todos ;)



Escrevinhado por Deka Pimenta às 00h59



Da infância

Por que as crionças crescem traumatizadas? Os pais, é óbvio.

Tem pessoas melhor pra falar no dia das crianças do que estes dedicados progenitores, que querem tanto o nosso bem que acabam quase matando os filhos de tanto amor? [no meu caso, quase literalmente!]

Vou contar uns casinhos que viraram piadas internas em casa e depois vocês me dizem se num tô certa.

Era a Branca de Neve, mano!

Vou começar por mim.

Meu pai gostava muito de brincar com a Dekinhazinha. Às vezes a gente brincava de cavalinho.

Só que ele esqueceu que crianças crescem. Inclusive eu!

Ele me montava em seus ombros e saía cavalgando pela casa, segurando meus braços pelos pulsos para me equilibrar. Imaginem a situação desesperadora que a mini-Deka vivenciou, quando seu desavisado pai atravessou a porta do banheiro esquecendo-se da altura do batente. Até hoje tenho pesadelos com aquela parede chegando cada vez mais perto, em velocidade constante, enquanto meus braços estavam firmemente seguros.

E o mosquitão? Já falei aqui no blog, que meu pai é meio paranóico com pernilongos, né? Pois ele queria me “treinar” desde piveta, para que no futuro eu me tornasse uma exterminadora de mosquitos. Se fingia de mosquito gigante que me perseguia pela casa. Eu, sob influência dos princípios assassinos do meu ememplo de vida, saía correndo atrás dele, pulverizando-lhe um veneno aerosol imaginário.

Num dos treinamentos, começamos a brincadeira a partir do ponto de partida de sempre: o canto do penico. Corre-corre pela casa, papai zumbindo, Deka sonorizando o “psss” do veneno, mamys gritando: “Olha essas brincadeiras! Vai que pega no olho!”, mosquitão morre e em meio a sua estrebuchante agonia, esperneia acertando uma bica na lata da exterminadora mirim que foi lançada a 2 metros de distância, já nocauteada.

No dia seguinte, o avô pergunta: “Que roxo é esse na cara da guria?” ao que eu respondo prontamente: “Foi o muquitão, vô!”

Por sorte, não fui somente eu que fui vítima dos perrengues patriarcais. A Malinha também sofreu das suas.

Ela – com 2 aninhos – vê meu pai passando manteiga de cacau na boca. Como toda criança curiosa, fica interessada na tecnologia retrátil e logo quer passar o batonzinho também. Papai, zeloso como sempre, para evitar o contato direto da frágil criancinha com seus objetos de uso pessoal, lhe ensina pacientemente a passar a manteiga de cacau no queixo. Sim, no queixo.

Tudo correu perfeitamente como o planejado, até que um belo dia, a Malinha sai do quarto da minha tia com o queixinho todo vermelho de batom de verdade. E pra explicar o focinho do porco pra guria?

Mas ela se vingou!

Um dia, o papys chega mais cedo do trabalho, bem cansado e vai se deitar. De vez em quando ele acordava com uma cosquinha nos pés. Sacode sua extremidade pernística e vê de sua posição, um topo de cabecinha com uma maria-chiquinha que lembrava muito um coqueiro, correndo do quarto. “Whatever”, ele certamente pensou. Até o dia seguinte, quando ao vestir as meias, descobre nos pés verdadeiras obras de arte de canetinhas hidrocor. Óleo na tela é para os fracos.

Pra não dizer que só falei mal dos pais, levem de bônus também uma pérola da Malinha.

Um dia ela chega toda orgulhosa da EMEI, do alto de seus 5 anos de idade, publicando em letras garrafais que tinha aprendido o Hino Nacional.

Eu, como toda irmã mais velha dedicada [e FDP], pedi-lhe que então cantasse.

Ela, se empertigando, prontamente começou:

 

Ouvidos do Ipiranga as margens plácidas

De um polvo heróico brazo rezumblante

E o sol da liberdade raios bípidos...”

 

Foi o demais pra minha caixa de risada [vide Bob Esponja]. Não consegui ouvir mais nem um mísero verso depois disso.

Fuçando nas gavetas atrás de uma foto pro avatar do twitter, foi inevitável reencontrar-me em diversas fases. Alguns encontros eu gostaria de evitar, mas não há como se esconder de algo tão impresso em sua alma quanto o passado.

De certa forma, os risos que acompanharam as lembranças foram infinitamente mais relevantes. E é isso que deve ser carregado para sempre: o clichê da criança que existe dentro de nós. Mas como eu já disse, os clichês estão aí para serem vivenciados e só então compreendidos. E não somente repetidos à exaustão.

Feliz dia das crianças! =)



Escrevinhado por Deka Pimenta às 10h45



Believe you can fly...

Leia ouvindo esta música.

 

 

A garotinha de cabelos vermelhos atravessou a porta da casa grande e correu pelo gramado do enorme jardim, sob as sombras das árvores altas e sem frutos.

Procurava pelo balanço amigo, seu companheiro das horas difíceis. Era ele quem via suas lágrimas depois de uma queda ou uma boneca quebrada.

Sentou-se, sentindo o metal frio em suas pernas rosadas e desnudas pelo curto vestido de algodão. Seu rosto já sardento, estava totalmente vermelho e ainda carregada vestígios úmidos das lágrimas nos cílios fartos.

Tomando impulso com os pezinhos em sapatos de cetim, começou a balançar-se, deixando que o vento secasse o seu rosto. Aquele balanço havia sido de sua mãe, quando tinha o seu tamanho, ouvira-a dizer.

No começo, duvidou que sua mãe já houvesse sido do seu tamanho, pois parecia não compreendê-la. Uma vez, fora choramingar para reclamar do pai, e mãe lhe disse calmamente que se o pai lhe havia machucado, era porque tinha sido uma menina má.

Porém o sorriso maravilhoso e o jeito delicado com o qual lhe penteava os cachos acobreados, lhe garantiam que a mãe a amava.

Talvez o pai também.

Aumentou a velocidade do balanço, inconscientemente.

Realmente, talvez o pai lhe desejasse o bem.

Ela não era uma boa menina. Lembrava muito bem de ter quebrado o vaso de porcelana da sala. E de ter derramado o suco de uva no vestido novo. Mas foi sem querer. Será que merecia ser castigada por isso?

Seus pés já nem tocavam mais o chão. O balanço ia para frente e para trás, somente com o impulso das pernas.

Ela gostaria de poder voar. Assim, quando o pai entrasse em seu quarto, era só bater os braços e sair fugida pela janela.

Bem, talvez a mãe fosse realmente uma boa menina quando era do seu tamanho, por isso não a entendia.
         E deve ser por isso também, que o pai ordenava que não contasse nada à mãe, quando começava a tirar o seu vestido.



Escrevinhado por Deka Pimenta às 23h15



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O que está escrito aqui pode ser real, ou não, indiferente ao uso do pronome "eu". Afinal, sou aspirante a escritora, não a jornalista. Ainda assim, qualquer semelhança com a vida real, não será mera coincidência. Contraditório? É, também.

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