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I wish I could break all the chains holding me
Tenho um vizinho que tem uma biblioteca enorme e uma simpatia maior ainda. Depois que este gentil senhor descobriu que eu adoro ler, começaram a “surgir” livros em minha casa. Entre eles, está o que eu terminei de ler nesta terça: “O homem de São Petesburgo”. É ótimo (recomendo!). Fui transportada ao período quando a Primeira Guerra Mundial era iminente e diversos sinais de revolta do povo começavam a incomodar a elite, o que resultaria em grande mudança para o mundo todo. Estamos falando de anarquistas, sufragistas (mulheres que lutavam pelo voto e respeito aos direitos femininos) e revolucionários em geral. Todas as pessoas/acontecimentos que contribuíram para a sociedade que hoje conhecemos e liberdade que hoje temos. E é exatamente AÍ que eu quero chegar. A nossa sociedade ocidental hoje é livre. Mas até que ponto? Reparem que não estou falando de hipocrisia, ou desigualdade social. Sempre costumo dizer que o ser humano não é livre, porque não sabe lidar com a liberdade total. As pessoas precisam de um parâmetro que as conduza e impedem coercitivamente a liberdade dos outros, rejeitando quem REALMENTE se utiliza do livre arbítrio que hoje é concedido e anda contra a corrente. Tá confuso? Um exemplo tosco pra clarear: Era uma vez um reino, onde o tirano era apaixonado por amarelo. Por conta disso, ele obrigava todos os seus súditos a usarem amarelo e só amarelo. Mas uma hora, o povo enjoou e queria usar outras cores também. Então começaram a surgir os primeiros rebeldes. Um homem organizou um pequeno grupo de descontentes e saíram de casa vestidos de azul. Foi um escândalo: mães tapavam os olhos dos filhos e os levavam correndo pras respectivas casas, para evitar que fossem contaminados pela loucura dos indivíduos, mocinhas gritavam e cobriam a boca com as mãos, homens observavam a ousadia balançando a cabeça em reprovação, até que os guardas os prenderam por perturbar a ordem pública. Aí os familiares e amigos revoltados, saíram de casa vestidos de azul em protesto, o que foi severamente reprimido com muita violência (um pouquinho de redundância não faz mal pra ninguém). Finalmente a população do reino pareceu acordar e logo houve uma revolução de cores. Todos: homens, mulheres, crianças, saíram vestidos das mais diversas cores. O rei indignado ainda tentou tomar medidas drásticas para reter a revolução, mas o povo destitui-o do trono, libertaram o primeiro rebelde e o coroaram novo rei. Enfim eram livres! Nunca mais precisariam usar amarelo. Em comemoração, queimaram todas as roupas amarelas em praça pública (e qualquer semelhança com sutiãs não é mera coincidência). Mas um rapazinho, gostava de amarelo. E depois de um bom tempo vestindo vermelho, verde, azul, roxo e até preto, cansou e resolveu usar uma roupa amarela novamente. E ouviu o dia inteiro: “Amarelo??? Não precisa mais usar amarelo! Isso é coisa do passado! Seja livre! Você está desvalorizando a conquista dos seus pais, que lutaram para não precisar mais usar amarelo!” O rapaz ficou confuso. Achou que a revolução seria para possibilitar ao povo a liberdade de escolha de cores para vestir, mas estava sendo criticado por usar amarelo. E desanimado, pensou em qual era a graça de ser livre, se não podia usar a cor de que mais gostava..
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Escrevinhado por Deka Pimenta às 21h03
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Bom, é o seguinte: Esse cara aqui me passou esse meme aí. Não sou muito fã dessas coisinhas, me lembram aqueles cadernos de perguntas do colégio: “Qual é o seu hobby? Com quantos anos deu o seu primeiro beijo? Se fosse um animal, qual seria?”... Lembro até que as meninas pegavam o caderno só pra ver quais eram as outras meninas que já tinham perdido a virgindade e tinham coragem de assumir isso. Pra fofocar com outras meninas, lógico. Mas estou perdendo o foco. O Renatto Neves me indicou, achei isso fofo e resolvi responder, porque eu sou muito simpática, né Renatto? [não responda!!! XD] Vamos às respostas: MANIA: Observar tudo. E quando “observo” algo inspirador, começo automaticamente a transformar a situação em palavras “escrevíveis”. PECADO CAPITAL: Vaidade. E não se trata necessariamente da minha aparência.
MELHOR CHEIRO DO MUNDO: De homem cheiroso, indiscutivelmente. SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA, EU FARIA…: Férias definitivas! Mas para ter tempo de estudar mais e botar em prática meus projetos literários ^^. CASOS DE INFÂNCIA: Uma vez eu sonhei que um elefante cor-de-rosa com bolinhas [não lembro a cor das bolinhas] voava no fundo do quintal da minha casa. Segundo a Pimenta-Mãe eu disparei do quarto pra cozinha e fiquei estática e ofegantemente encostada na parede. Cagando de medo, só consegui sair pra brincar no quintal, no dia seguinte. Desde menor ainda eu já dava mostras da minha habilidade pra criar personagens fantásticos rírírí. HABILIDADES COMO DONA DE CASA: Gosto de fazer doces... e comê-los. Mas reparem que eu disse “gosto” e não “eu sou boa nisso”. FRASE: Don’t worry. Be happy. PASSEIO PARA ALMA: Sem destino definido, eu e meu iPod. A pé.
PASSEIO PARA O CORPO: Praia!
O QUE ME IRRITA: Gente que não sabe discutir e começa a falar por cima de mim. Pra mim é uma clara demonstração de que o fulano teme meus argumentos.
PALAVRA OU FRASE QUE USA MUITO: Pode pegar pra mim? Eu não alcanço... PALAVRÃO MAIS USADO: “Bosta” é palavrão? CHUTA O PAU DA BARRACA QUANDO: Com as tais pessoas que não sabem discutir. PERFUME QUE USA NO MOMENTO: Olha, meu cheiro é complicado, porque mistura 3... O perfume – perfume mesmo – é Floratta Emotion, d’O Boticário. Eu ainda uso desodorante Rexona Teens cor-de-rosa e Emulsão Perfumada de Chá Verde, também d’O Boticário. ELOGIO FAVORITO: “Como você escreve bem...”
TALENTO OCULTO: Fazer mistério... Brincadeira! Rê rê... Engraçada essa pergunta, porque se eu soubesse ou falasse, não seria mais oculto, right? NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO: Botas brancas.
QUERIA TER NASCIDO SABENDO: Falar inglês, espanhol, italiano e francês fluentemente.
SOU EXTREMAMENTE: Contraditória. As regras deste meme são: 1 - Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog; 2 – Copiar e responder o questionário; 3 – Presentear 5 blogs com o selo e avisá-los sobre, mas eu não vou fazer isso. Só respondi por que o Renatto é do bem. Bom, foi isso. Não é muito, mas acho que esclarece algumas coisas sobre esta que aqui escrevinha... Beejo pra quem leu ^^
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Escrevinhado por Deka Pimenta às 15h07
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Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Acordem todos os clichês, porque de tanto ouvir, os dormentes se esqueceram do que é entender. Que sejam repetidas à exaustão frases como “Quem acredita sempre alcança”, até que alcancem o sentido de acreditar. Quero sair sem precisar desligar todas as janelas ou descer os ferrolhos em meus pensamentos. É exaustivo se prevenir incessantemente. Quem procura, acha e ouve o que não quer. Já é mais do que hora de entender que ninguém é perfeito e os que o são, se escondem. Cansaram de ser os errados. Pudera, se esqueceram que sair na chuva molha. Ainda não entenderam que estão no inferno e que essa é a hora de abraçar o capeta. E os joões-sem-braço, sentados na sarjeta da rua da amargura, esperam os dias melhores que não virão, enquanto os sonhos dos revolucionários caem do céu e morrem na merda. Andando com as mãos escondidas nos bolsos, os rostos anônimos são fustigados pelas pequenas gotas do sereno. Sentem-se livres e no auge da sua liberdade foram acordados com baldes de covardia. Surpreendem-se com o dedo em riste, acusando si mesmos pelos crimes que outros cometeram. Acordem todos os clichês, porque de tanto ignorar os dementes esqueceram o que é criar. E eu? Eu sigo palavras e busco estrelas.
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 22h45
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Sem mais, eu fico onde estou. Prefiro continuar distante.

Vi borboletas azuis. Aquelas grandes, que têm asas azul metálico em cima e marrom aveludado na parte de baixo. Há quanto tempo não as via? Elas surgem em determinadas épocas, quando o verão termina, mas ainda há sol o suficiente para belas tardes iluminadas. Voam pesadamente, criando um magnífico jogo de cores com a lentidão de seus movimentos. Mal posso controlar a vontade de tomar uma em minhas mãos e sentir seu toque aveludado, mas já diz o clichê que borboletas fogem tão logo se sintam perseguidas. O caso é que me quedo quieta a admirá-las em silêncio. Temo abrir os lábios e o menor movimento espantá-las pra longe de mim. Almejo o dia em que o tempo as faça aproximar-se, com a certeza de que jamais as faria mal.
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 02h14
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I dare you to move...
Foi domingo. Não estou acostumada a trabalhar durante os finais de semana e estava exausta. Às 18h daquele dia interminável eu estava no ponto de ônibus cantarolando qualquer música que saía dos meus fones, feliz por poder ir pra casa. Pessoas passavam por mim, trotando de pressa. Nenhuma delas prestava atenção ao belíssimo pôr-do-sol que tingia o céu, por trás das árvores, de lilás e azul. Um casal chegou, naqueles passos medidos para tornar o caminho mais longo. Seus lábios se moviam em um diálogo que apenas eles podiam ouvir. Nas mãos, traziam ambos, bengalas dobráveis de alumínio. Os olhos poderiam ser julgados inúteis, porém os dois pares – baços e irrequietos – brilhavam pelo sentimento mútuo entre aquelas pessoas que se amavam sem se ver. Não duvido que pouquíssimos tenham notado tal fato que se lhes abria ante os olhos. Não é fácil encontrar quem sabe unir o visto com o significado. Limitam-se a ver somente e descartar as imagens como apenas mais uma cena de um dia qualquer. Difícil seria encontrar alguém acostumado a enxergar os pequenos milagres da realidade. Enquanto eu refletia, mais pessoas passavam pelo ponto, alheias as minhas dúvidas, ao casal, ao pôr-do-sol, ao mundo. Apenas mais indivíduos que são cegados pela capacidade de ver.
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 15h44
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Paraíso o escambau.
Sou uma mocinha urbana. Adoro prédios, muros grafitados, metrô e cheiro de poluição. É claro que foi um aproveitamento da minha nobreza me fazer morar 12 anos da vida no bairro mais “mano” de São Paulo. E também é claro que naquela situação, qualquer lugar seria o mais perfeito do mundo, desde que fosse longe de lá. Aí, meus pais compraram terreno em um lugar lindo. Com reserva ecológica, animaizinhos fofos e mato. Muito mato. Gente, lugar maravilhoso! A pivetaiada adora aquilo: ruas com pouco movimento, casas parecendo subúrbios de filmes americanos, lago, patinhos. Só faltavam fadinhas verdes que fazem crianças voar com um pouco de purpurina e pensamentos felizes. O problema, é que quando mudamos pra lá eu já era bem grandinha. Aí já tava na idade de não querer ser levada pra escola pelos pais e de querer passear no shopping com as amigas. E o ponto de ônibus, fica a meia hora a pé da minha casa. E minha mãe odeia ser “mãetorista”. Fiquei presa. Não parou por aí. Locais com reservas tem mato. E mato tem bicho. E se tem casas perto do mato, os bichos entram nas casas. Não falo de borboleta, mariposa, besouro, sapo. Não sou tão fresca assim. Tô falando de cobras, ratos, aranhas mutantes, e passarinhos. Sim. Passarinhos. Coisas fofas, que têm bico, penas, às vezes voam e.... piam. Aquelas criaturas com complexo de “mamãe quero ser passarinho da Cinderela” piam a partir das 05h da manhã, duas horas antes de eu cair da cama com o celular despertando. Com tantas janelas no mundo, eles piam na minha. Com tantas mocinhas românticas querendo ser acordadas por passarinhos, eles piam na minha. Nessas horas eu lamento não estar realmente em um conto de fadas, ou já teria explodido um, cantando ópera. E aranhas? Meu quarto virou a China das aranhas. Não raro, levanto meu edredom pra dormir e uma indivídua de oito patas se esconde debaixo do travesseiro Toca correr atrás do chinelo, e jogar tudo da cama pra achar a maldita. Isso quando eu consigo achar e mato. Porque quando o ser some, quem consegue dormir? Quando chega o verão, o ponto alto são os pernilongos. Ponto alto porque meu pai tem ojeriza deles. A coisa mais bizarra do mundo é meu pai todo neurótico, correndo pela casa inteira com veneno na mão exterminando qualquer coisa pernuda que voe. É claro que eu deveria me considerar privilegiada de morar em um lugar tão lindo e cheio de contato com a natureza. É que seres humanos são coisas muito descontentes, que por mais que tudo esteja bem, sempre acha um ponto ruim. Principalmente seres práticos que odeiam morar lugares remotos, com mato, aranhas mutantes, bichos feios e passarinhos matinais cantantes. Eu ainda pico a mula de lá.
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 17h54
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"No horizonte os barcos vão, vai também meu coração, levando o segredo e o meu desejo..."
Observou as marcas deixadas pelos seus pés, onde pisara na areia molhada. Ela caminhava abraçando a si mesma, com o pensamento longe dali. Há dias não falava com ninguém, por não querer expor o que reprimia ou temer ouvir a própria voz. Isso teve início na primeira vez que o viu recolhendo a rede, ao voltar da pescaria em alto mar. O sol poente reproduzia seus raios no suor que escorria dos músculos em suas costas. Ele possuía uma beleza divina, quase etérea. Não se deu conta da garota que o olhava a distância ou talvez tenha simplesmente a ignorado. Quando ela se deu conta que o encarava havia alguns segundos, correu para casa vexada, como se ele soubesse da impressão – nunca dantes sentida – que provocara nela. Desde então, saía a caminhar todos os dias no mesmo horário para encontrá-lo. E diariamente o observava de longe, disfarçadamente. Sempre o encontrava do mesmo jeito: descalço, recolhendo a rede de pesca, com o sol poente a rebrilhar em suas costas másculas. E ele nunca a via. Curiosamente, ninguém sabia nada sobre ele. Seja a quem for que perguntasse, não o conheciam, nunca o tinham visto. Mas não era de se estranhar muito, pois a aldeia não era tão pequena assim. De um certo modo, as pessoas começaram a estranhar sua obsessão em sair todas as tardes e suas perguntas. E começaram a se afastar e a cochichar quando a avistavam. Por isso emudeceu. Estava no auge do deslumbre com seu primeiro amor e já não sabia diferenciar o amor por ele, do amor pelo sentimento que nutria. Já fazia algum tempo que não o via mais. Tempo demais para o seu coração recém-desvirginado. O fim da sua linha de pensamentos a encontrou já nos pés do caminho de pedras. Ela caminhou até a ponta do píer natural. Seu rosto demonstrava total ausência da realidade e seu pés pareciam não sentir as pedras pontiagudas. As ondas fustigavam impiedosas as paredes do pequeno precipício e as nuvens negras anunciavam a iminência de uma tempestade. Nada parecia alcançá-la na altura de seus devaneios. Nem mesmo o vento fortíssimo que despenteava violentamente seus cabelos ou a onda gigantesca que se foi formando a não muitos metros de onde estava. A onda estava prestes a quebrar em pleno píer e ela finalmente deu mostras de despertar do torpor. Ela não podia acreditar no que via: em meio à espuma que se formava na crista da onda, viu formar-se um rosto. E este rosto sorriu-lhe abrindo os braços convidativos. Ele voltara para lhe buscar. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, já se misturando à água salgada que respingava da onda, e foi encontrar seus lábios em um sorriso de entrega. Ela estendeu suas mãos ao seu príncipe dos mares e o mar a engoliu para sempre.
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 09h19
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Ao som de "Rima Pobre" - K-Sis
Vamo falar sobre o Acordo Ortográfico? Vamo! Tô me sentindo analfabeta. Eu não consigo mais escrever p.n. sem consultar um dicionário. Depois da Reforma, o cara que inventou a bagunça com certeza se sente acanhado com a zona que isso provocou. Estudei a vida inteira pra escrever bonitinho e quando me vejo prestes a terminar a faculdade aparece um gaiato, aponta o dedo na minha cara e grita: RÁÁÁÁ! PEGADINHA DO MALANDRO!! VAI TER QUE APRENDER TUDO DE NOVO!! É deprimente ¬¬. Eu até consigo visualizar a “reunião” que provocou tudo isso: Numa quarta-feira, em volta de uma mesa de bar, os maridos [porque isso é coisa de homem. Mulher nenhuma ia zonear, depois de tudo arrumadinho] entediados, girando os copos vazios de cerveja, resolvem que o mundo ocidental anda muito parado e resolvem revolucionar o nosso idioma. Pronto, merda feita! Navegando na net, topei com um site que apresentava os prós e contras da “Revolução”. Tá lá como argumento a favor: “unificação de todos os países de língua oficial portuguesa”. Cara, não tem essa de unificar os países. São culturas diferentes, com influências linguísticas diferentes. Falamos o mesmo idioma, porém com a identidade única e pessoal de cada nação. E o melhor: mesmo com essas pequenas diferenças, nos entendemos [escritamente falando] muito bem! Aí me vem com “fortalecer a Língua Portuguesa no panorama mundial”. Pois eu tenho uma novidade: unificar a escrita não vai tornar a língua falada, uma só em qualquer lugar do mundo. Existem palavras específicas em cada país que têm significado diferente [ou muitas vezes, significado nenhum] nos demais. E o inglês não é um idioma “universal” porque é forte. É porque os EUA dominaram o mundo. Todos os falantes em português escrevendo igual, não afetará isso em nada. By the way: o inglês americano é diferente do inglês britânico. A Língua Portuguesa já é considerada um dos idiomas mais difíceis de se aprender, pois palavras extremamente semelhantes na pronúncia adquirem significados totalmente diferentes, dependendo do contexto. Agora isso se estende à escrita também. Exemplo: pelo/pelo. O segundo era o “pêlo” que as mulheres têm que depilar. Agora é “pelo” igual ao “pelo” (preposição por+o). Gaaaah!! Enfim, quem sou eu para questionar decisões tomadas pelos móda fóca da nossa língua? Não me crucifiquem, foi apenas um desabafo. Mas vejam só: este foi o meu primeiro texto metalinsguístico e eu nem pude usar trema... *** Sobre os comentários do post anterior, valeu pra quem comentou! =D E pro(a) "preguissa": Cara, desculpa ae, mas mesmo depois do Acordo Ortográfico, "preguiça" ainda é com "ç". Fui!
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 11h21
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"Quero perder de vez tua cabeça, minha cabeça perder teu juízo...Me embriagar até que alguém me esqueça"
Fui contar quantos anos fazem que eu não posto nada pessoal aqui e lembrei que apaguei todos os posts do gênero e que também não faz tanto tempo assim que eu tenho blog. Ainda prefiro escrever contos – que geralmente são metáforas para expressar como me sinto – mas dessa vez não pude resistir aos meus impulsos escritorísticos. Lembrei de ter lido em um livro aí: “Quando soube que estava tendo um caso com a Srta. X, temi por você, pois eu também a tive e sofri demasiado. Mas quando descobri que você escrevia, então tive certeza de que tudo ficaria bem.” É isso ou algo parecido. Whatever. O que importa é que de uns 12 meses pra cá, fui obrigada a engolir esta verdade. Tenho 726 + n arquivos gravados no meu computador, só de coisas que foram escritas para não serem lidas por ninguém. E se passo muito tempo sem escrever, começo a me desesperar e sentir uma necessidade imensa de digitar qualquer bosta que me faça sentir o alívio de ver várias linhas repletas de letras. Então fui acumulando emoções e mais emoções não vomitadas desde o ano passado, com medo de que alguém lesse e se identificasse com o que foi escrito e não escrevi mais nada pessoal. [Marie] Tenho que perder essa mania de tentar me controlar. Porque um dia eu não consigo mais e acabo passando dos limites. [/Marie] Aí eu posto e depois apago. E meus 'leitoramigos' me trucidam. Já escrevi esta linha e paguei quinhentas vezes. Resolvi escrever alguma coisa imparcial pra quebrar o encanto deste trecho rs. Mas é sério. Depois de acreditar e pagar pra ver várias vezes, descobri que querem mais é que você pague. Quando chega a parte do “ver”, ninguém mostra. E interpretem como quiserem. É nessa hora que você surta, grita “Parem o mundo que eu quero descer”, faz sinal de enjôo pro indivíduo da cabine que tá com fone de ouvido e nem presta atenção em você. Nhé, já tenho prática em passar mal com a vida. E confesso que cheguei ao ponto de desistir de algumas coisas. Como o dia em que trabalhei como mesária nas eleições. Ninguém imagina o quanto dói pedir a alguém que assine o próprio nome e recebe de volta: “Desculpe moça. Não sei escrever.” Eu me senti intimamente culpada por isso. Ou quando eu fiz de tudo pra acertar daquela vez, mesmo não sendo eu quem errou antes, ou quando minhas lágrima foram pagas com as acusações de quem me fez sofrer e me vi obrigada a engolir a fraqueza de outra pessoa em troca de ter oferecido meu coração aberto, coisa que já tinha começado a desistir de deixar acontecer. E o mais engraçado – ou irônico, o que é mais provável por aqui – foi receber tudo o que eu esperava, de alguém que não tinha motivo/precisão/tempo nenhum pra me oferecer atenção. E quanto à cereja do bolo, esta mesma pessoa me deu a certeza de que fidelidade não existe mais. Foi a hora que parei pra respirar e me perguntei o que de fato valia a pena, já que o ceticismo me dominava. Aí descobri que vale quando eu estou bem. Não é egoísmo. É que “sentir-se bem” é um estado de espírito de quem encontra seu lugar e se sente completo. E ao tocar em “sentir-me bem e completa” achei outro caminho, que não esperar que me completem. Resolvi adotar de vez a filosofia – já dantes afagada – das coisas simples, dos detalhes e da beleza dos pequenos momentos. “Se tudo der errado, eu viro hippie”, mais ou menos assim – em tempo: não vou deixar de me cuidar, usar cosméticos e demais coisinhas que melhoram a auto-estima. Revisão de conceitos tem limite. E descobri que me sinto completa escrevendo e publicitando. Pra mim, estas são as coisas simples, como colher uma flor para uma garotinha ou observar os fogos de final de ano. Enfim, era isso. Bora pra nova fase da vida. Esta mesma que já passa por mudanças regularmente semestrais e que se Deus quiser, continuará assim até o fim dela chegar. Ah! Lembram dos posts das asas? Pois é... Finalmente dei o primeiro passo para poder voar =).
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 18h22
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This is my december...
O velho andarilho caminhava pela Paulista, com sua trouxa nas costas. Mais clichê, impossível. As roupas esfarrapadas, a aba que um dia foi chapéu, sapatos praticamente sem sola. Ele caminhava e cantava: _Adeus ano velho... Feliz ano novo... Era a véspera. A avenida lotada, transbordante de pessoas vestidas de branco. Ele caminhava trôpego, mas não bêbado. Ensaiava passos de dança, que só evidenciavam o contraste entre ele e a multidão. Do outro extremo do quarteirão, um cão tão andarilho e surrado quanto o velho trotava e gania. Por vezes se aproximava de algum grupo e latia. Alguns se assustavam, outros o escorraçavam, ainda outros lhe dirigiam algumas palavras divertidas. Ninguém realmente lhe prestava atenção. O velho e o cão continuavam seu caminho. Inevitavelmente se encontrariam, pois nenhum dos dois mudou a direção. _Que tudo se realize, no ano que vai nascer... Os anos de experiência nas ruas, lhe ensinaram que ninguém se compadece dos "coitados". Por isso sempre se mostrava sorridente e simpático. Quase debochado. Esta atitude sempre lhe rendia boas esmolas. No exato trecho "Muito dinheiro no bolso", um rapaz sorridente, já um tanto quanto "alto", esmolou-o vinte reais. _Deus o abençoe, meu senhor. Muito obrigado. "Saúde pra dar e vender!" Um rodopio seguido de uma seqüência de sapateado e o mendigo e o cão se encontraram. _Oh! Olá, velho amigo! O que faz por estas bandas? O cão sarnento gania sentido. Os olhos, normalmente tristes, estavam deprimentes. _Onde está nosso companheiro? O cão ganiu mais alto e voltou pelo mesmo caminho que veio. O velho desconfiou e foi atrás. Atravessaram toda a Avenida Paulista, em toda sua exuberância de luzes e enfeites, em todo o frescor da juventude e velhice festejantes. Ninguém os via, mas todos se desviavam. Ambos, acostumados à pseudo-indiferença, faziam das calçadas seu destino e/ou objetivo. Só. O cão levou-o à rua paralela, atrás de um bar. Um monte de panos no chão se movia imperceptivelmente. _M'nino? Você está aí? A resposta foi um acesso de tosse. Os panos foram revolvidos pela pequena e esquálida mãozinha. O cão deitou ao seu lado e lambeu-a. _Essa tosse não sarou ainda? _Oi, tio Jão. Queria ver os fogos. _Aqui você tá longe, piá. Vamos lá na Avenida e você vai ver que lindo! _Eu estou muito cansado... _Eu te ajudo. Levanta daí. Esta operação foi lenta e entrecortada por acessos de tosse que provocavam ânsias. O mendigo fez "Upa!" e carregou o garotinho nas costas até a Avenida Paulista, sentindo o calor da febre atravessar o que restava de suas roupas. O cão os seguia silenciosamente. Sentaram-se na calçada, recostados em um dos grandes prédios. A massa branca de pessoas continuava comemorando, bebendo, cantando. A cada nova crise de tosse do garoto, o velho estremecia e lhe dirigia um disfarçado olhar de preocupação. _Você precisa se cuidar, m'nino. Essa gripe não tá com cara de que vai sarar sozinha. _Vão me mandar pra FEBEM, tio Jão. Sem resposta, aninhou o garotinho no seu colo, para protegê-lo da brisa. Alguns momentos se passaram. O velho evitava fazer o garoto falar, para que ele não gastasse energia no esforço. Iniciou-se a contagem regressiva: 10... 9... 8... 7... _Olha lá, m'nino! Tá chegando a hora dos fogos! O par de olhos - febrilmente brilhantes - perdido no cobertor fitou a multidão em torno e se ergueu lentamente para o céu. (5...4...3) O velho se sentiu abraçado por aqueles bracinhos ansiosos e sem forças. (2...1...0) Era a virada. O céu explodiu em milhões de partículas coloridas e brilhantes. Chuvas vermelhas, azuis, verdes... O garoto sorria extasiado, enquanto o cão se encolhia na perna do andarilho. _Feliz ano novo, m'nino! Feliz ano novo, cão! A criança não respondeu. Julgou ser a admiração e pôde sentir a febre diminuindo. E quando a queima de fogos terminou vários minutos depois, o velho chorava abraçado a um pequeno cadáver enrolado em panos imundos e a multidão se abraçava e cantava: _"Adeus ano velho. Feliz ano novo! Que tudo se realize..."
***
Apesar de estar um pouco atrasada - mea culpa! - aqui foi o post de réveillon.
"Que neste ano de 2009 possamos enxergar além do que queremos ver"
São os votos de Deka Pimenta a todos os amigos e leitores deste blog.
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Escrevinhado por Deka Pimentah às 11h57
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